13 de julho de 2026 · Gestão e Governança

Retire já o cavalo morto da sua mesa

Tem um problema na sua empresa que todo mundo já sentiu o cheiro. Só que ninguém fala sobre ele em voz alta.

Tem um problema na sua empresa que todo mundo já sentiu o cheiro. Só que ninguém fala sobre ele em voz alta, e enquanto ele fica escondido debaixo do tapete, continua drenando resultado, mês após mês.

É uma teoria que uso toda vez que entro numa organização para consultoria. Todo mundo sabe que o cavalo está ali, todo mundo sente o cheiro, mas ninguém fala abertamente sobre isso.

Dentro das empresas, o cavalo morto tem nome: é o resultado que não veio, o indicador maquiado para parecer bonito na reunião, o líder tóxico que adoece a equipe, o problema que todo mundo evita mencionar quando o chefe está na sala.

Número, bom ou ruim, precisa vir para a mesa. Se ele não vier, a empresa não melhora nunca.Princípio que repito em toda reunião de conselho que participo

Por que ninguém fala sobre o cavalo morto?

Isso é mais comum do que parece. A empresa cresce mais rápido que a estrutura, os processos não acompanham o ritmo, e fica mais fácil maquiar um número do que admitir que não bateu a meta. É uma resposta humana a um ambiente onde errar pode virar punição em vez de aprendizado, e o profissional que esconde a má notícia, geralmente, está tentando proteger alguém: o time, o chefe, ou ele mesmo.

O problema é que o cavalo continua ali em cima da mesa, e o cheiro só piora com o passar do tempo.

Quando chego numa empresa como consultor, geralmente recebo um conjunto de números prontos, onde eu confio desconfiando. Vou atrás de entender como aquele número foi construído, porque decisões estratégicas tomadas em cima de dados que não refletem a operação real são mais comuns do que os empresários imaginam.

E toda decisão de negócio nasce de um número: contratar, expandir, cortar, investir, cobrar mais caro. Se o número na mesa é fantasia, a decisão em cima dele também é.

Quando o cavalo morto vira um rombo real: o caso Americanas

Em janeiro de 2023, a Americanas comunicou ao mercado que havia identificado inconsistências contábeis da ordem de R$ 20 bilhões em seu balanço. Em poucas horas, as ações da companhia despencaram até 80% na bolsa. Dias depois, a empresa pediu recuperação judicial declarando uma dívida de R$ 43 bilhões. Virou um dos maiores casos de fraude contábil da história corporativa brasileira (fonte: CNN Brasil).

Não preciso de uma empresa desse tamanho para te mostrar o risco. O mecanismo é o mesmo em qualquer porte: o número escondido gera a decisão errada, a decisão errada gera o rombo, e o rombo sempre vai aparecer, cedo ou tarde, no caixa.

O custo de não trazer o número real para a mesa

Na sua empresa, o cavalo morto pode ser bem menos espetacular que R$ 20 bilhões, mas ainda assim caro pra caramba. Pode ser a inadimplência que ninguém quer relatar, a margem que encolheu e virou "normal", o turnover que está sangrando o caixa e aumenta o retrabalho todo mês, ou aquela contratação que todo mundo sabe que não deu certo, mas segue empurrada com a barriga.

Cada mês que esse número fica escondido é um mês de decisão adiada. E decisão adiada tem custo enorme de oportunidade: o concorrente que ajusta o preço primeiro, a vaga errada que continua ocupando espaço na folha, o cliente insatisfeito que vai embora antes de você agir. Os riscos sobem junto com o tempo que o cavalo passa em cima da mesa sem ninguém querer encará-lo.

Trazer o número ruim para a mesa demonstra coragem, e eu diria até uma coragem espiritual antes de técnica. Colocar a verdade acima da imagem, e o resultado acima do ego. Para mim, isso também é propósito: um negócio sólido se constrói em cima da verdade, nunca de uma mentira confortável.

Qual é o cavalo morto que está em cima da sua mesa agora?

É esse o trabalho do Diagnóstico Empresarial, apontar quais indicadores a sua empresa precisa ter e onde o número de hoje não reflete a operação real, e do Conselho Executivo, garantir que o número, bom ou ruim, chegue à mesa toda vez.

Autorizo o compartilhamento deste conteúdo, desde que citada a autoria de Dayrison Almeida.

Se isso fez sentido para o momento da sua empresa, vamos conversar. Uma conversa sem compromisso, para olhar o seu negócio com clareza.

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